04 de abril de 2021

Celebrar a Páscoa em meio a pandemia e perceber sinais do Ressuscitado

Por Pe. Carlos Augusto Cruz

Pároco da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Em meio a realidade da pandemia, vivenciamos um dos momentos mais crítico desde seu início no ano passado. Com isso, nos faz pensar as vésperas da páscoa, o que vamos celebrar? Ou que sinais de ressurreição percebemos diante dos casos de contaminação, morte crescente a cada dia e com a vacinação ainda insuficiente?

A pandemia que mudou nossa dinâmica e rotina, agora é uma realidade diária com a qual teremos que conviver por muito tempo. Em meio a ela mais uma vez nos deparamos com a proximidade da páscoa, uma celebração bimilenar que atualiza o mistério da Paixão, morte e ressurreição de Jesus. Este ano, mais uma vez não será possível nos reunirmos nas igrejas para celebrar o grande mistério da nossa fé. Muitos não poderão estar em família, viajar, ver amigos. O “fique em casa” continua sendo uma palavra de ordem, para tantos que já perderam seus empregos, sua renda, sonhos, esperanças, parentes e amigos. Os governos refletem sozinhos, a toque de caixa, resoluções que mexem com a vida de todos. Mantém a discrepância do fechamento dos comércios e igrejas mantendo ônibus e metrô lotados. Falta reflexão mais ampliada, falta participação de outros setores da sociedade civil e religiosa para refletir junto às autoridades, estratégias para garantir minimamente a “normalidade da vida”. Pois parece que vírus virou desculpa para justificar qualquer decisão às vezes incoerentes com a realidade vista.

A Campanha da Fraternidade deste ano nos convocou a viver a fraternidade e o diálogo como compromisso de amor. Em Cristo, nessa Páscoa, encontramos a unidade, mas infelizmente as vezes parece faltar unidade e diálogo na hora de pensar o bem comum da sociedade nestes tempos pandêmicos. Em Cristo, todos os cristãos devem buscar o bem comum. N'Ele encontramos razão e sentido para cuidar uns dos outros. Precisamos cuidar uns dos outros, não só dos adoecidos pelo vírus da Covid 19, mas, de outras realidades que também vão se agravando. É preciso promover e testemunhar a cultura do cuidado. Ela brota da cruz de Cristo que em tudo cuidou de nós para nossa salvação.

Celebrar a Páscoa durante a pandemia, com medidas restritivas, com toque de recolher e celebrando as escondidas, de portas fechadas, com medo de ser multados por estarmos levando Deus ao povo num momento em que o povo precisa de esperança, nos traz um convite à reflexão: a Páscoa não é um tempo, a pascoa é uma pessoa, é Jesus Cristo e ele nos disse: “Eis que eu estarei convosco todos os dias até o fim dos tempos (Mt. 28,20)”. É essa palavra de Jesus que nos faz perceber em meios a tantas incertezas, em meio a tantas mortes, em meio ao aproveitamento desta pandemia para as manobras políticas, que o ressuscitado virá vencedor da morte para nos dizer que a morte não tem a última palavra. Por isso, devemos entender que a Páscoa deve acontecer, principalmente, dentro de nós, e que, independentemente, das igrejas fechadas e com horários limitados, a Páscoa significa a passagem da morte para a vida, do pranto da dor para o alívio, da tristeza para a alegria.

Nos apeguemos a esperança de Jesus, que desceu a mansão dos mortos mas ressuscitou ao terceiro dia (do credo católico). Estamos limitados hoje, mas haveremos em breve de perceber os sinais do ressuscitado em meio a triste realidade da pandemia. Ela vai passar e a vida em Cristo permanece. Coragem a todos!!!!

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