22 de outubro de 2021

Trinta e um anos da Acopamec

Pe. Miguel Ramon

Não foi possível, no ano passado, festejar com a devida ênfase o aniversário de trinta anos da Acopamec. Passou-se mais um ano marcado pela Pandemia do Coronavírus. Apesar das limitações impostas, não deixamos de continuar o processo educativo iniciado em outubro de 1990.

Neste período conseguimos transformar muitas vidas de crianças, adolescentes, jovens e seus familiares. A presença da Acopamec trouxe muita luz para Mata Escura, Calabetão, Santo Inácio e bairros adjacentes. Nestes anos todos houve avanços, sucessos e realizações significativas. Houve igualmente dificuldades, derrotas e limitações. Nem todos os objetivos foram alcançados.

Sempre faz bem nos perguntar o que realmente foi sonhado, planejado e realizado. O que foi almejado, para quem e por quê? Tivemos uma preocupação muito grande em oferecer um projeto educativo que pudesse garantir maior inserção social, felicidade e realização pessoal.

Assistimos a muitas e rápidas mudanças em todo o mundo, no Brasil e nos bairros onde atuamos. A pandemia nos colocou diante de maiores desafios. Ela interveio de forma brutal e atingiu a todos, especialmente os mais vulneráveis. As mazelas da sociedade se tornaram ainda mais visíveis e mais gritantes. O quadro político-social do país é de destruição de muitos direitos sociais adquiridos. Somos confrontados diariamente com situações de fome, desemprego e desespero. As possibilidades de interferir através de processos educativos libertadores parecem extremamente difíceis e estão sendo combatidos por ideologias hostis à emancipação das camadas menos favorecidas da população.

A proposta da Acopamec continua sendo desafiadora. Precisamos da fé, do empenho e do entusiasmo de todos para continuar sonhando com uma sociedade diferente que para nós é sem exclusões, discriminações e marginalizações. Não podemos recuar diante das forças malignas que se aproveitam da fragilidade de muitos. Diante de ameaças de totalitarismos e negações de direitos a uma educação humanizadora. Precisamos continuar promovendo uma cultura de paz e de justiça social, rumo a uma sociedade onde todos possam viver como irmãos e irmãs.

As palavras do Papa Francisco dirigidas aos políticos, na Encíclica Fratelli Tutti se aplicam a todos nós que somos “chamados a cuidar da fragilidade [...]das pessoas. Cuidar da fragilidade quer dizer força e ternura, luta e fecundidade, no meio de um modelo funcionalista e individualista que conduz inexoravelmente à “cultura do descarte”[...]; significa assumir o presente na sua situação mais marginal e angustiante e ser capaz de ungi-lo de dignidade.” (FT 188)

Estas palavras do Papa nos colocam diante de um grande desafio, mas nos enchem também de esperança. Temos muitos motivos para não desanimar e continuar lutando juntos, muitas vezes dando pequenos passos, para que o sonho de muitos continue vivo.